Continuando no clima de final de semana (apesar de toda tensão que tem passado o Rio de Janeiro não ter permitido grandes programações para esse final de semana especificamente) vou falar de outro filme que assisti na última semana: a tão aguardada primeira parte do último longa da saga Harry Potter.
Tenho que admitir que conforme estou ficando mais velha a saga tem perdido um pouco do encanto. Continuo achando os livros incríveis pela complexidade da trama, que é tão bem amarrada pela autora JK Rowlings, mas admito que já tá ficando meio cansativo tantas idas ao cinema. Não sou grande fã de adaptações para a telona, não apenas pelos famigerados argumentos de que acaba com a magia de criar os personagens e as cenas na particularidade da imaginação de cada um e de que é impossível transportar toda a narrativa para os 120 minutos ou um pouco mais de filme (o que é uma verdade), mas porque realmente acredito que o cinema e o livro são dois tipos de narrativa tão diferentes que a obra acaba se tornando outra quando ocorre essa mudança de plataforma. E eu sou fã de impresso, nunca neguei.
Reconheço que os recursos de imagem, som e efeitos especiais explorados pelo cinema eram muito bem-vindos nos primeiros filmes. Além de ver, desfrutar as sensações que as brilhantes cenas de quadribol e as mais diversas criaturas mágicas da história era incrível. Mas desde o quinto filme, quando a narrativa começou a tomar um caráter mais humano, tratando de questões como amizade, ética, lealdade e romance esse bônus do cinema foi perdido.
Sobre “ Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I” tenho a dizer que foi um bom filme. Apesar das desvantagens de ter o último livro dividido (para nós espectadores, claro) acho que foi uma sábia decisão da Warner para conseguir dar conta da densidade do livro, que explica muitas pontas deixadas durante a saga e finaliza com maestria o fenômeno que movimentou tanto fãs (e dólares) durante a década. São muito detalhes importantes que não poderiam ser cortados no último filme e acredito que um longa de quatro horas não faria muito sucesso.
A continuidade de David Yates na direção foi outro acerto. Yates é um bom diretor e sua continuação deu segurança à trama. Um dos destaques fica por conta da fotografia do filme. As locações foram muito bem escolhidas e encantam pela beleza e simplicidade. Merecem elogios também as cenas de ação, principalmente a perseguição de Harry, Rony e Hermione pelos sequestradores floresta adentro.
O mais grave erro foi o ponto de corte escolhido para encerrar a primeira parte. Apesar do conflito que fica explicíto na cena, o momento é sem emoção e o espectador não sente a urgência de continuar assistindo o filme. Acredito que a cena de alguns minutos antes, em que Belatrix Lestrange lança uma faca em direção ao grupo de amigos que está prester a desaparatar do cárcere em que estão sendo mantidos com a ajuda do elfo Dobby seria uma escolha muito melhor. O suspense de quem seria atingido seria um momento muito mais emocionante para o término da primeira parte.
Com alguns erros e acertos, a primeira parte do último filme de Harry Potter não empolgou, mas também não decepcionou. Aos fãs só resta esperar o suspiro final da saga. E que ele chegue logo.
Trailer do filme:
No clima do lançamento de HP e as Relíquias da Morte – Parte I, a Warner aproveitou para lançar na internet a primeira imagem da Parte II do longa. Nada inédito, a imagem já estava no trailer completo de “Relíquias da Morte” lançado em junho.
Fonte: Blog Telecine
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domingo, 28 de novembro de 2010
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Pilar & José
Normalmente eu não assistiria o filme. Não gosto de documentários sobre artistas e não costumo assistir mesmo quando se trata de alguém que eu admiro. Mas "José & Pilar" me pegou de surpresa, porque ele pode ser tudo menos um documentário.
O romance da vida real conta a história do casal formado pelo Nobel de Literatura José Saramago e a jornalista e tradutora Pilar del Río. Impressiona a naturalidade com que os dois aceitam a câmera, mérito do produtor do filme que conseguiu captar a intimidade do casal sem deixá-los acuados com a presença do equipamento. É emocionante a cumplicidade que existe entre eles e o amor presente nas cenas consegue ser palpável.
O filme conta a trajetória do autor escrevendo sua penúltima obra “A viagem do elefante” e mostra as outras tarefas que acompanham o trabalho de um Nobel de Literatura. Um dos melhores momentos é quando Saramago não sabe se vai conseguir terminar de escrever o livro, por conta de sua saúde que está bastante debilitada. Mesmo não contando com o elemento surpresa as cenas impressionam pelo sentimento. O mesmo se repete quando o próprio Saramago se emociona após assistir ao filme homônimo de sua obra “Ensaio sobre a cegueira”. Entre lágrimas ele diz que não sabia se iria estar vivo para assistir ao filme e que fica muito feliz por não ter perdido. É de querer chorar junto.
Ao contrário do que li em algumas críticas Saramago não me surpreendeu. Apesar de seu pessimismo com a humanidade (que é uma das características que mais admiro em suas obras) sempre imaginei que o sutil humor um tanto irônico de suas obras também era uma vertente do seu caráter. E não me enganei. Saramago se mostra um homem muito ativo, piadista e inteligente. Acredito que o que mais me impressionou foi o bom humor com que ele lidava com a parte chata de seu trabalho: as sessões de autógrafo, as inúmeras viagens ao redor do mundo, palestras e festas em sua homenagem. Mendes, que levou quatro anos produzindo o filme, contou que essa era sua intenção: Achei que o mais interessante era mostrar o que o escritor Nobel faz. Além do escrever escutando música clássica. Você tem que dar autógrafos, dar palestras, é tudo um saco. É um saco, mas é o trabalho dele.”
Mas o que realmente me conquistou foi conhecer a mulher detrás desse grande homem. Pilar é uma mulher forte, cheia de opinião e fibra e que não se anulou mesmo estando casada com um grande intelectual. Ela defende suas opiniões e mantém projetos seus, conciliando com a turbulenta agenda do marido, por quem é responsável. É Pilar quem cuida dos compromissos do marido, assessora sua carreira, além de supervisionar a casa em que vivem e presidir um projeto de caridade criado pelos dois. E ela faz questão de ser chamada de presidenta, que segundo ela só não é uma palavra gramaticalmente correta porque não existia esse cargo quando o termo 'presidente' foi criado.
Vale a pena conhecer um pouco mais da história do grande Saramago e da mulher incrível que não está atrás dele, mas sim ao seu lado.
Trailer do filme:
O romance da vida real conta a história do casal formado pelo Nobel de Literatura José Saramago e a jornalista e tradutora Pilar del Río. Impressiona a naturalidade com que os dois aceitam a câmera, mérito do produtor do filme que conseguiu captar a intimidade do casal sem deixá-los acuados com a presença do equipamento. É emocionante a cumplicidade que existe entre eles e o amor presente nas cenas consegue ser palpável.
O filme conta a trajetória do autor escrevendo sua penúltima obra “A viagem do elefante” e mostra as outras tarefas que acompanham o trabalho de um Nobel de Literatura. Um dos melhores momentos é quando Saramago não sabe se vai conseguir terminar de escrever o livro, por conta de sua saúde que está bastante debilitada. Mesmo não contando com o elemento surpresa as cenas impressionam pelo sentimento. O mesmo se repete quando o próprio Saramago se emociona após assistir ao filme homônimo de sua obra “Ensaio sobre a cegueira”. Entre lágrimas ele diz que não sabia se iria estar vivo para assistir ao filme e que fica muito feliz por não ter perdido. É de querer chorar junto.
Ao contrário do que li em algumas críticas Saramago não me surpreendeu. Apesar de seu pessimismo com a humanidade (que é uma das características que mais admiro em suas obras) sempre imaginei que o sutil humor um tanto irônico de suas obras também era uma vertente do seu caráter. E não me enganei. Saramago se mostra um homem muito ativo, piadista e inteligente. Acredito que o que mais me impressionou foi o bom humor com que ele lidava com a parte chata de seu trabalho: as sessões de autógrafo, as inúmeras viagens ao redor do mundo, palestras e festas em sua homenagem. Mendes, que levou quatro anos produzindo o filme, contou que essa era sua intenção: Achei que o mais interessante era mostrar o que o escritor Nobel faz. Além do escrever escutando música clássica. Você tem que dar autógrafos, dar palestras, é tudo um saco. É um saco, mas é o trabalho dele.”
Mas o que realmente me conquistou foi conhecer a mulher detrás desse grande homem. Pilar é uma mulher forte, cheia de opinião e fibra e que não se anulou mesmo estando casada com um grande intelectual. Ela defende suas opiniões e mantém projetos seus, conciliando com a turbulenta agenda do marido, por quem é responsável. É Pilar quem cuida dos compromissos do marido, assessora sua carreira, além de supervisionar a casa em que vivem e presidir um projeto de caridade criado pelos dois. E ela faz questão de ser chamada de presidenta, que segundo ela só não é uma palavra gramaticalmente correta porque não existia esse cargo quando o termo 'presidente' foi criado.
Vale a pena conhecer um pouco mais da história do grande Saramago e da mulher incrível que não está atrás dele, mas sim ao seu lado.
Trailer do filme:
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