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sábado, 1 de janeiro de 2011

Agora é oficial: Brasil ganha sua primeira presidente

                                                                                                                                    Crédito: O Globo
Dilma recebe a faixa presidencial do companheiro de partido e padrinho, Lula

O mau tempo tentou, mas não conseguiu estragar a festa da democracia. Às 14 horas do dia 1o de janeiro teve início a posse da primeira presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Debaixo de muita chuva, a presidente eleita foi acompanhada de sua filha Paula Rossef ao Congresso, para ser empossada oficialmente como presidente do país. Elegante em um tailleur branco e muito sorridente, Dilma cruzou o caminho entre a residência oficial do Torto até o Congresso debaixo de chuva intensa e com sua segurança sendo feita por policias e batedoras mulheres.

A forte chuva implicou em uma mudança de planos durante a cerimônia oficial. A entrada da presidente foi realizada pela Chapelaria do Congresso, ao contrário do que tinha sido ensaiado durante o mês de dezembro. Recebida pelo líder do Senado José Sarney e pelo presidente da Câmara Marco Maia, Dilma Rousseff foi saudada por parlamentares e líderes de estado.

José Sarney comandou a cerimônia de posse no Congresso. Ele quem anunciou oficialmente a posse de Dilma Rousseff como a primeira mulher a ocupar o mais alto cargo do governo brasileiro. Sarney chamou tanto a atenção que seu nome foi parar no Trending Topics mundial do Twitter, com a maioria dos posts comentando sua atuação durante o hino nacional e também sua controversa carreira política. O termo #possedilma foi primeiro Trending Topic mundial durante toda a tarde.

Em seu primeiro discurso como presidente, a presidenteDilma falou durante 40 minutos. Ela abriu seu discurso falando sobre a honra de ser a primeira mulher eleita presidente do Brasil:

- Por decisão do povo hoje pela primeira vez a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Meu compromisso é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos.

Ela também falou sobre o governo de seu companheiro de partido e antecessor Lula, elogiando principalmente as políticas de criação de empregos, crescimento do país e o fim da dependência do Fundo Monetário Internacional (FMI):

- Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-vice-presidente José Alencar também foi homenageado pela presidente Dilma. Alencar, que há anos vem lutando contra o câncer, está internado no Hospital Sírio Libanês por conta de uma hemorragia no intestino, e apesar de passar bem e estar em estado estável não foi liberado pelos médicos para comparecer à cerimônia de posse.

- Que exemplo de coragem e amor à vida é esse homem!

Ao falar de seu governo, Dilma disse que 'a luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema' e defendeu também a maior valorização dos professores como um avanço para a educação, o reforço de investimentos para o desenvolvimento e cultura , a defesa do meio ambiente e da liberdade de expressão, repetindo que 'prefere o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras'.

A época da ditadura militar também foi citada por Dilma em seu discurso. A presidente afirmou que dedicou sua juventude ao Brasil e que não se arrepende nem guarda rancor. Ela também prestou uma homenagem aos seus companheiros de luta:

- Muitos de minha geração que tombaram pelo caminho não puderam estar aqui neste momento de alegria. Rendo-lhes minha homenagem.

Visivelmente emocionada, Dilma encerrou seu discurso declarando que 'A partir deste momento sou a presidenta de todas as brasileiras e brasileiros' .

Após o discurso, Dilma participou de solenidades com as forças armadas e quebrou o protrocolo ao parar para beijar a bandeira do Brasil. Dilma seguiu para o Palácio do Planalto para receber a faixa presidencial de Luís Inácio Lula da Silva. Com o tempo melhor na Capital da República, Dilma seguiu em carro aberto mais uma vez na companhia da filha, e foi ovacionada pelos mais de 30.000 populares que acompanhavam a cerimônia. O encontro entre Dilma e Lula na rampa do Palácio foi muito aplaudido pelo público, assim como o momento em que a faixa presidencial foi oficilamente passada para a presidente.

No Parlatório, a presidente Dilma, o vice Michel Temer acompanhado da esposa Marcela Temer e o ex-presidente da República Lula com sua esposa Dona Marisa cantaram o Hino Nacional. Emocionada, Dona Marisa parabenizou Dilma. Lula a abraçou emocionado e ambos se retiraram rapidamente do local. Dilma fez um novo discurso, novamente enaltecendo o governo do presidente Lula e citando a coragem de José Alencar. A presidente se emocionou durante o segundo discurso e deixou para os brasileiros a seguinte mensagem:
- Sonhar é romper o limite do impossível.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cabral: Quem não teve 'namoradinha' que já fez aborto?

Agência Estado

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), fez um comentário polêmico hoje ao falar sobre o aborto a empresários em São Paulo. Ele questionou os presentes sobre quem já teria recorrido ao procedimento por conta de uma gravidez indesejada de uma namorada. "Quem aqui não teve uma namoradinha que teve de abortar?", perguntou Cabral, ressaltando, em seguida, que esse não era o caso dele. "Fiz vasectomia e sou muito bem casado", disse, durante o Exame Fórum - Rio de Janeiro - Oportunidades de Investimentos e Negócios.

"Me refiro a diversas pessoas que tiveram namoradas que engravidaram e que foram abortar em clínicas clandestinas", afirmou o peemedebista, ao ser questionado por jornalistas. "Isso é a vida como ela é. Só que o sujeito que é de classe média alta tem uma clínica de aborto clandestina em melhores situações, mas mesmo essa não passa por nenhum controle de vigilância sanitária, médica. As autoridades médicas não têm no seu prontuário: 'Fui visitar a clínica de aborto da Rua Dona Mariana, por exemplo'", afirmou.

"O que eu quero dizer é que há uma hipocrisia no Brasil. Esse tema foi muito mal discutido na campanha eleitoral. As pessoas já conhecem minha opinião", afirmou ele, para então repetir o discurso da presidente eleita, Dilma Rousseff, sobre o aborto durante a campanha eleitoral.
"Ninguém é a favor do aborto. Você é a favor do direito da mulher recorrer no serviço público de saúde a uma interrupção de gravidez. Imagina, quem é a favor do aborto? Ninguém é a favor do aborto, não imagino que tenha uma mulher e um homem no mundo favorável ao aborto", afirmou. "Mas uma coisa é uma mulher, por alguma necessidade, física ou psicológica, psiquiátrica, orgânica, desejar interromper uma gravidez."

Relembre a outra besteira que Cabral já falou sobre o assunto

Em 2007 ele defendeu a legalização do aborto como uma forma de reduzir a violência. Na época, citou uma pesquisa da década de 1970 que relacionava taxas de natalidade, pobreza e violência.

"Hoje, no Rio, em áreas mais nobres, como na Tijuca, se encontram taxas de natalidade de países civilizados, desenvolvidos, onde as pessoas têm consciência. Infelizmente, nas comunidades mais carentes daqui, as mulheres não têm orientação do governo sobre planejamento familiar e têm taxas equivalentes aos países mais atrasados da África. Tem tudo a ver com violência. Isso é uma fábrica de produzir marginal", declarou, na época.

*

E mais uma vez Cabral falou besteira. Eu, que pessoalmente sou a favor da discussão sobre a legalização do aborto, acredito que esses comentários do governador, ainda que a favor da discussão, afastam a possibilidade de que a questão chegue ao Plenário. Enquanto o aborto for visto como uma prática leviana e irresponsável não existirá uma preocupação do governo e uma mobilização social em favor da causa, que por questões religiosas já é tão polêmica. O Brasil, além de deixar de ser hipócrita, precisa assumir-se como um país laico de verdade.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Deputado Jair Bolsonaro defende agressão a "filho meio gay"

É lamentável ver que o povo brasileiro ainda alimenta um preconceito tão profundo pelas diferenças. Ainda mais lamentável é ver um representante do povo declarar abertamente na televisão que esse tipo de comportamente deve ser punido e abolido da sociedade, como se a homosexualidade fosse um crime.

O Brasil conhecido pela diversidade, pelo povo acolhedor e pela liberdade sexual e de expressão representadas para o mundo afora em festas como o Carnaval mostra nesses episódios como vive apenas de aparências.

É por essas e outras que o pensamento arcaico e violento que realmente nos acompanha não consegue evoluir.


do blog ComunicaTudo

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O que faremos com os vazamentos do Wikileaks?

Reconheço, o vazamento do Wikileaks foi uma surpresa para a diplomacia de todo o mundo. Mas eu achei bem feito para o prepotente Estados Unidos ter uma dorzinha de cabeça repensando sua atitude e as besteiras que fica falando dos países por aí, embora eu não acredite que de fato eles irão repensar alguma coisa. Mas só de ver Hillary Clinton viajando de país em país tecendo pedidos de desculpas já vale alguma coisa a pena.
Quanto à nós que vivemos em terras tupiniquins, resta aproveitar as informações vazadas para tentar aprender algumas coisas sobre nós mesmos que não sabíamos (ou fingíamos que não sabíamos) e mudar de atitude.

Esse interessantíssimo post de Leandro Fortes ajuda a elucidar uma das questões que foi revelada pelo vazamento (mas não pela grande mídia brasileira):

Ministro X-9

Uma informação incrível, revelada graças às inconfidências do Wikileaks, circula ainda impunemente pela equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff: o ministro da Defesa, Nelson Jobim, costumava almoçar com o ex-embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford Sobel para falar mal da diplomacia brasileira e passar informes variados. Para agradar o interlocutor e se mostrar como aliado preferencial dentro do governo Lula, Jobim, ministro de Estado, menosprezava o Itamaraty, apresentado como cidadela antiamericana, e denunciava um colega de governo, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, como militante antiyankee. Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, divulgado pelo Wikileaks, Jobim disse que Guimarães “odeia os EUA” e trabalha para “criar problemas” na relação entre os dois países.

Para quem não sabe, Samuel Pinheiro Guimarães, vice-chanceler do Brasil na época em que Jobim participava de convescotes na embaixada americana em Brasília, é o atual ministro-chefe da Secretaria Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE). O Ministério da Defesa e a SAE são corresponsáveis pela Estratégia Nacional de Defesa , um documento de Estado montado por Jobim e pelo antecessor de Samuel Guimarães, o advogado Mangabeira Unger – com quem, aliás, Jobim parecia se dar muito bem. Talvez porque Unger, professor em Harvard, é quase um americano, com sotaque e tudo.

Após a divulgação dos telegramas de Sobel ao Departamento de Estado dos EUA, Jobim foi obrigado a se pronunciar a respeito. Em nota oficial, admitiu que realmente “em algum momento” (qual?) conversou sobre Pinheiro com o embaixador americano, mas, na oportunidade, afirma tê-lo mencionado “com respeito”. Para Jobim, o ministro da SAE é “um nacionalista, um homem que ama profundamente o Brasil”, e que Sobel o interpretou mal. Como a chefe do Departamento de Estado dos EUA, Hillary Clinton, decretou silêncio mundial sobre o tema e iniciou uma cruzada contra o Wikileaks, é bem provável que ainda vamos demorar um bocado até ouvir a versão de Mr. Sobel sobre o verdadeiro teor das conversas com Jobim. Por ora, temos apenas a certeza, confirmada pelo ministro brasileiro, de que elas ocorreram “em algum momento”.

Mais adiante, em outro informe recolhido no WikiLeaks, descobrimos que o solícito Nelson Jobim outra vez atuou como diligente informante do embaixador Sobel para tratar da saúde de um notório desafeto dos EUA na América do Sul, o presidente da Bolívia, Evo Morales. Por meio de Jobim, o embaixador Sobel foi informado que Morales teria um “grave tumor” localizado na cabeça. Jobim soube da novidade em 15 de janeiro de 2009, durante uma reunião realizada em La Paz, onde esteve com o presidente Lula. Uma semana depois, em 22 de janeiro, Sobel telegrafava ao Departamento de Estado, em Washington, exultante com a fofoca.

No despacho, Sobel revela que Jobim foi além do simples papel de informante. Teceu, por assim dizer, considerações altamente pertinentes. Jobim revelou ao embaixador americano que Lula tinha oferecido a Morales exame e tratamento em um hospital em São Paulo. A oferta, revela Sobel no telegrama a Washington, com base nas informações de Jobim, acabou protelada porque a Bolívia passava por um “delicado momento político”, o referendo, realizado em 25 de janeiro do ano passado, que aprovou a nova Constituição do país. “O tumor poderia explicar por que Morales demonstrou estar desconcentrado nessa e em outras reuniões recentes”, avisou Jobim, segundo o amigo embaixador.

Não por outra razão, Nelson Jobim é classificado pelo embaixador Clifford Sobel como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”. Não é difícil, à luz do Wikileaks, compreender tamanha admiração. Resta saber se, depois da divulgação desses telegramas, a presidente eleita Dilma Rousseff ainda terá argumentos para manter Jobim na pasta da Defesa, mesmo que por indicação de Lula. Há outros e piores precedentes em questão.

Jobim está no centro da farsa que derrubou o delegado Paulo Lacerda da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), acusado de grampear o ministro Gilmar Mendes, do STF. Jobim apresentou a Lula provas falsas da existência de equipamentos de escutas que teriam sido usados por Lacerda para investigar Mendes. Foi desmentido pelo Exército. Mas, incrivelmente, continuou no cargo. Em seguida, Jobim deu guarida aos comandantes das forças armadas e ameaçou renunciar ao cargo junto com eles caso o governo mantivesse no texto do Plano Nacional de Direitos Humanos a idéia (!) da instalação da Comissão da Verdade para investigar as torturas e os assassinatos durante a ditadura militar. Lula cedeu à chantagem e manteve Jobim no cargo.

Agora, Nelson Jobim, ministro da Defesa do Brasil, foi pego servindo de informante da Embaixada dos Estados Unidos. Isso depois de Lula ter consolidado, à custa de enorme esforço do Itamaraty e da diplomacia brasileira, uma imagem internacional independente e corajosa, justamente em contraponto à política anterior, formalizada no governo FHC, de absoluta subserviência aos interesses dos EUA.
Foi preciso oito anos para o país se livrar da imagem infame do ex-ministro das Relações Exteriores Celso Lafer tirando os sapatos no aeroporto de Miami, em dezembro de 2002, para ser revistado por seguranças americanos.

De certa forma, os telegramas de Clifford Sobel nos deixaram, outra vez, descalços no quintal do império.

*
Vamos aguardar e esperar que Dilma tome a mesma sábia decisão que tomou ao barrar Sérgio Côrtes do Ministério da Saúde.