terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Ricos estudam em média cinco anos a mais que os pobres

Adital/Carta Capital
Por Raquel Junia

Apesar dos avanços visíveis na escolarização da população brasileira, ainda existem no país 14 milhões de analfabetos e faltam cerca de cinco anos para os brasileiros atingirem em média a escolaridade mínima prevista na Constituição Federal – oito anos de estudo. Entretanto, a população mais rica já estuda 10,7 anos, enquanto a mais pobre frequenta a escola por apenas cinco anos e meio. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2009 e foram analisados no comunicado do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) nº 66: Pnad 2009 – Primeiras Análises: Situação da educação brasileira – avanços e problemas lançado no final de novembro.

Os indicadores mostram que existe uma grande desigualdade entre as regiões, sobretudo sudeste e nordeste, com relação à média de anos de estudo e outras estatísticas. O sudeste é a única região que ultrapassa a escolarização mínima garantida na Constituição, com uma média de 8,2 anos de estudo, enquanto no nordeste essa média é de 6,3 anos de estudo. “Esses dados não causam espanto diante das desigualdades abissais deste país. Isso só espelha o capitalismo desigual e combinado que temos. A modernização conservadora do capitalismo brasileiro produz regiões menos desenvolvidas em todos os sentidos e com menos direitos”, analisa a diretora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e doutora em Educação, Isabel Brasil.

O comunicado do Ipea ressalta que se levou 17 anos – de 1992 a 2009 – para ampliar em 2,3 anos a média de anos de estudo da população brasileira. Outro indicador utilizado na análise dos dados é o chamado hiato educacional, que mede o quanto ainda falta para que a população atinja o mínimo de oito anos previsto na Constituição. O hiato educacional para a população de 15 ou mais anos era de 4,3 anos em 2009 – apesar de ter havido avanços em todas as faixas etárias analisadas de 1992 a 2009, sendo mais expressivo na faixa etária de 15 a 17 anos, em que esse hiato caiu de quatro para 2,8 anos. “Os dados revelam uma melhoria, mas uma melhoria insuficiente ainda. As políticas públicas precisam, portanto, ser mais acirradas. E para isso é necessário mais investimento. É um absurdo manter um superávit primário alto faltando investimento na educação”, opina Isabel.

No Brasil, ampliação significa queda da qualidade

Se o ensino fundamental hoje é universalizado, o mesmo não se pode dizer da qualidade da educação. Para Claudio Gomes, a história da educação no país mostra que as políticas de universalização sempre provocaram a queda da qualidade. “Aqueles que estudaram na rede pública antes da universalização, as pessoas que estão hoje com cerca de 70 anos, tiveram uma educação melhor do que os que estudam hoje na rede pública, por isso temos informações até hoje dos grandes colégios públicos de excelência. Mas isso era longe de ser universalizado, só estudavam aqueles que tinham um pouco mais de recursos”.

De acordo com o professor, os argumentos para não se universalizar a educação com qualidade, apesar de ninguém defender isso publicamente, são os mais diversos, com destaque para a explicação mais usada comumente, que é a do custeio. Há, entretanto, outras explicações para a falta de qualidade nas escolas públicas: por exemplo, a formação dos professores. “Se você conversa com professores universitários de licenciatura, eles dizem que os melhores alunos deles não vão para a sala de aula, vão se dedicar ao mestrado, não serão os professores das escolas públicas ou serão por pouco tempo. Então, as universidades públicas continuam produzindo professores que são os menos preparados para tratar das condições que se encontra nas escolas públicas. Este encontro já foi mais harmônico entre professor e aluno”.

Para Claudio, toda essa situação se deve também a uma banalização do conhecimento produzida na sociedade contemporânea que, inclusive, se autodenomina sociedade do conhecimento, o que parece uma contradição. “Aparentemente isso é um paradoxo, mas não é, porque o conhecimento é algo cada vez mais mercantilizável, o que o faz ser tratado com uma ligeireza e cada vez mais de modo estandartizado, independentemente dos códigos, registros e de suas inserções e interesses”, critica. Ele salienta que os professores também são prejudicados por essa situação, já que têm uma formação pior, não apenas na universidade, mas escola por onde passaram e nos próprios meios familiares, onde, por exemplo, se lê muito pouco.

O professor ressalta que o aumento da frequência à escola na faixa etária de 15 a 17 anos, como mostra a Pnad, precisa ser lido também como um indicador alavancado pela exigência do mercado por mais escolaridade, apesar do fato de que, como ele destaca, a escolaridade não garante emprego atualmente. “O pesquisador André Urani tem publicado isso insistentemente, demonstrado com estatísticas que não há essa relação entre escolarização, até mesmo de nível médio, e conquista de emprego”.

O comunicado do Ipea aponta também que não há ainda no país uma universalização do ensino médio e que não seria possível hoje atender a toda a demanda por esse nível de ensino, caso todos os jovens concluíssem o ensino fundamental na idade adequada. “É necessário que haja, portanto, melhorias e expansão da capacidade física instalada para garantir acesso e permanência”, propõe o texto.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Aposta do jornal O Globo faz sucesso no Twitter

O perfil @ILEGALeDAI já tem mais de 6.000 seguidores

Demorou, mas enfim aconteceu. A mídia tradicional percebeu que a internet chegou para ficar, e mais fácil que vê-la como inimiga e tentar combatê-la é melhor usá-la como aliada. Considerada por muitos o fim do impresso, a internet tem mostrado como existe espaço para todo mundo na competição pela atenção do consumidor. E quem sabe como usá-la a seu favor ao invés de perdê-los, acaba conquistando mais leitores.

O jornal Folha de São Paulo foi o grande pioneiro desse movimento. Após a grande reforma gráfica ocorrida no ano passado o uso de links de páginas da internet foram incorporados ao tradicional texto impresso, e o leitor parece ter aceitado muito bem a novidade.

A novidade caiu tanto nas graças do povo que o jornal O Globo resolveu acordar e também fazer parte do mundo virtual. O perfil @ILEGALeDAI criado no Twitter há alguns meses já conta com mais de 6.000 seguidores e virou coluna diária do jornal, onde o espaço é usado para denunciar irregularidades observadas por leitores em todo o estado.

E as denúncias vão desde carros estacionados irregularmente, camelôs atravancando as ruas da cidade e focos de dengue à postes sem luz, obras inacabadas e semáforos com funcionamento irregular. Denúncias de todos os tipos são recebidas pelo perfil e retweetadas. E alguns desses problemas são selecionados para fazerem parte da coluna do jornal, com uma maior apuração e a palavra dos órgãos responsáveis pela solução das irregularidades.

E como prova de que a iniciativa tem dado resultados, o jornal publicou recentemente algumas das denúncias que foram sanadas graças ao perfil. Isso porque o Twitter tem se tornado uma ferramenta tão importante que autoridades e orgãos do governo participam da rede social, abrindo uma porta para os usuários acompanharem suas ações e também fazerem suas reclamações, darem sugestões e criticar.

Seja através do Twitter, Facebook, Orkut ou blogs, o importante é que as empresas estão se conscientizando a cada dia de como a internet oferece inúmeras ferramentas para todos os tipos de negócio e interesses variados, basta saber utilizá-las a seu favor. A internet tomou um caminho sem volta, em direção à democracia e à liberdade de expressão. E quem não caminhar ao lado dela vai ficar pra trás.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Pela liberdade de expressão

É íncrível ver que em 2010 com o conceito de globalização tão difundido e defendido no mundo, com a defesa da massificação do acesso à internet para todos, com a luta por mudanças sociais em países como o Irã que condenam pessoas ao apedrejamento por adultério, com as mulheres chegando ao poder máximo em países como Argentina e Brasil e um homem negro à frente da maior potência do mundo, os EUA, ainda exista tentativas tão violentas e primitivas de calar a imprensa, como vem acontecendo com o fundador da WikiLeaks Julian Assange.

Para fazer da minha defesa pela liberdade de expressão mais do que meras palavras, assinei a petição de uma campanha que o portal Avaaz.org vem organizando para mostrar que as pessoas de todo mundo querem justiça e liberdade.

Abaixo estou encaminhando o e-mail que recebi deles:



A campanha de intimidação massiva contra o WikiLeaks está assustando defensores da mídia livre do mundo todo

Advogados peritos estão dizendo que o WikiLeaks provavelmente não violou nenhuma lei. Mas mesmo assim políticos dos EUA de alto escalão estão chamando o site de grupo terrorista e comentaristas estão pedindo o assassinato de sua equipe. O site vem sofrendo ataques fortes de países e empresas, porém o WikiLeaks só publica informações passadas por delatores. Eles trabalham com os principais jornais (NY Times, Guardian, Spiegel) para cuidadosamente selecionar as informações que eles publicam.

A intimidação extra judicial é um ataque à democracia. Nós precisamos de uma manifestação publica pela liberdade de expressão e de imprensa. Assine a petição pelo fim dos ataques e depois encaminhe este email para todo mundo – vamos conseguir 1 milhão de vozes e publicar anúncios de página inteira em jornais dos EUA esta semana!

http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/97.php

O WikiLeaks não age sozinho – eles trabalham em parceria com os principais jornais do mundo (NY Times, Guardian, Der Spiegel, etc) para cuidadosamente revisar 250.000 telegramas (cabos) diplomáticos dos EUA, removendo qualquer informação que seja irresponsável publicar. Somente 800 cabos foram publicados até agora. No passado, a WikiLeaks expôs tortura, assassinato de civis inocentes no Iraque e Afeganistão pelo governo, e corrupção corporativa.

O governo dos EUA está usando todas as vias legais para impedir novas publicações de documentos, porém leis democráticas protegem a liberdade de imprensa. Os EUA e outros governos podem não gostar das leis que protegem a nossa liberdade de expressão, mas é justamente por isso que elas são importantes e porque somente um processo democrático pode alterá-las.

Algumas pessoas podem discordar se o WikiLeaks e seus grandes jornais parceiros estão publicando mais informações que o público deveria ver, se ele compromete a confidencialidade diplomática, ou se o seu fundador Julian Assange é um herói ou vilão. Porém nada disso justifica uma campanha agressiva de governos e empresas para silenciar um canal midiático legal. Clique abaixo para se juntar ao chamado contra a perseguição:

http://www.avaaz.org/po/wikileaks_petition/97.php

Você já se perguntou porque a mídia raramente publica as histórias completas do que acontece nos bastidores? Por que quando o fazem, governos reagem de forma agressiva, Nestas horas, depende do público defender os direitos democráticos de liberdade de imprensa e de expressão. Nunca houve um momento tão necessário de agirmos como agora.

Com esperança,

Ricken, Emma, Alex, Alice, Maria Paz e toda a equipe da Avaaz

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Drauzio Varella fala sobre respeito aos ateus

Apesar de ser do ano passado, o vídeo cabe perfeitamente para o momento.
Um exemplo de como a televisão pode ser usada como um meio de expressão de opinião sem que haja apologia ao preconceito à qualquer raça, credo ou cultura.

O médico Drauzio Varella, em entrevista ao Programa "Sempre um Papo" de 21/03/09, fala sobre o ateísmo e excomunhão da Igreja Católica.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Datena X Ateus

Depois da Band deixa passar ileso o inacreditável episódio de Bóris Casoy e os garis, agora é a vez do apresentador Datena comprar briga com os ateus. Gostaria que esse boçal senhor antes de dizer que os ateus têm complexo de Deus,  olhasse no espelho e se perguntasse quem ele é pra estar afirmando que quem não acredita em Deus não têm limites. Acho que não seria pedir muito que antes dele abrir a boca pra falar merda na televisão ele estudasse um pouco de história (inclusive no tão idolatrado livro dos cristãos, a Bíblia) e percebesse que os maiores crimes e genocídios da história da humanidade foram cometidos em nome de Deus e do fanatismo religioso. E mais importante do que tudo isso, que ele se conscientizasse que a televisão não é (ou não deveria ser pelo menos) um meio para discriminação de qualquer religião, raça, credo (ou falta dele). Pra mim, o nome disso é apologia.

Datena, se você quer tanto defender seu credo e convencer as pessoas a segui-lo, larga o seu "programa" e vá ser pastor, padre, pai de santo ou que quer que seja que o senhor acredite. A televisão brasileira não estará perdendo nada com a sua saída. Pelo contrário.

Deputado Jair Bolsonaro defende agressão a "filho meio gay"

É lamentável ver que o povo brasileiro ainda alimenta um preconceito tão profundo pelas diferenças. Ainda mais lamentável é ver um representante do povo declarar abertamente na televisão que esse tipo de comportamente deve ser punido e abolido da sociedade, como se a homosexualidade fosse um crime.

O Brasil conhecido pela diversidade, pelo povo acolhedor e pela liberdade sexual e de expressão representadas para o mundo afora em festas como o Carnaval mostra nesses episódios como vive apenas de aparências.

É por essas e outras que o pensamento arcaico e violento que realmente nos acompanha não consegue evoluir.


do blog ComunicaTudo