Desde crianças aprendemos que não podemos falar tudo que vem a cabeça. A mãe chama atenção quando entregamos que ela falou mal da cunhada, o pai puxa a orelha quando falamos palavrão, a tia da escola faz queixa quando a respondemos mal e o coleguinha empurra quando não gosta do que falamos. É a sociedade nos ensinando o poder da palavra, adequando-nos ao comportamento aceitável.
Conforme crescemos construimos o conceito de hierarquia e aliamos a ele nossa comunicação. Enquanto adolescentes, apesar desse conceito já estar formado, ainda temos o prazer de ir contra ele e enfrentar pessoas do nosso convívio com palavras rebeldes. Entre os jovens o rótulo de ser “fala na cara” é admirado e até respeitado. Mas é ao chegar à vida adulta, principalmente ao entrar no mercado de trabalho, que esse tipo de comportamento se mostra prejudicial à vida de alguém que quer ser bem sucedido e respeitado. Estatísticas comprovam que as pessoas são admitidas,demitidas ou mantidas em um emprego muito mais por suas qualidades pessoais do que conhecimentos técnicos. Ninguém quer uma pessoas inteligente e extremamente competente que não consegue trabalhar em grupo, respeitar o chefe ou conviver em harmonia no ambiente de trabalho.
O que dizemos nos compromete com nossos ouvintes e temos que lidar com as consequências disso. Não quer dizer que devemos todos ser falsos uns com os outros, mas devemos sim ser indivíduos políticos. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a política vai muito além do cenário partidário e está mais próxima do que imaginamos. Precisamos fazer política em todas as nossas relações interpessoais, para manter um bom convívio com as pessoas que nos cercam e obter delas o que desejamos e precisamos.
É um ditado correto aquele que diz que temos duas orelhas e apenas uma boca para ouvirmos mais e falarmos menos. É um sinal de inteligência saber usar o discurso a seu favor, e nem todos são capazes de dominar essa arte. E quem domina tem sua recompensa por isso, ou você acha que os políticos, celebridades e pessoas públicas em geral carismáticas e bem pagas falam tudo que pensam e tem vontade?
As novas tecnologias ajudam a nos lembrar o quanto é necessário ter cuidado com o que falamos por aí. A atual facilidade em gravar, editar e publicar imagens, sons e textos agrava o risco de nos vermos em uma situação delicada e desagradável por um simples descuido.
Quem assume a posição de Sr. Sincero acaba encontrando dificuldades em seu ambiente de trabalho, na família e até mesmo nos relacionamentos amorosos. O ser humano gosta de falar, mas não de ouvir, e a verdade nem sempre agrada, a sua opinião nem sempre interessa, o que você pensa pode mudar. Mentiras sinceras nos interessam.
A capacidade de saber o que falar, com quem falar e quando falar não nasce pronta, é um exercício diário de auto conhecimento e persistência. Essa noção de como a comunicação é e importante cresceu muito nos últimos anos e invadiu o ambiente empresarial, expandindo os setores de comunicação, marketing e relações públicas de empresas, que reconhecem no novo consumidor um indivíduo consciente e bem informado, preocupadas em manter uma imagem positiva perante a opinião pública.
Muito mais do que aprender as palavras, é vital ao ser humano moderno aprender a falar e ainda mais, a ouvir e pensar. Quando precedendo as palavras, acontece essas duas ações, com certeza o risco de falar besteira é bem menor.
O post de hoje foi um trabalho de faculdade escrito no período passado, cujo tema era: "As implicações políticas da palavra".
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