O ser humano apresenta uma característica única, que o diferencia largamente dos outros animais: o raciocínio. Essa singularidade da raça traz consigo vantagens e desvantagens, como quase tudo no mundo. Pensar nos tirou dos tempos primitivos das cavernas, trouxe a energia elétrica, os meios de transporte e avançadas técnicas de comunicação, nos permitiu descobrir a cura de diversos males que nos acometem, assim como desenvolveu outros, muitos os quais não tem solução, mesmo usando o pensamento que os mais brilhantes homens já produziram. Pensar gera conflito.
Construimos cidades, começamos a viver em sociedade e a criar o que chamamos de cultura. Não é de se espantar que onde existem leis e normas, além de cultura e costumes, que mudam de um lugar para o outro, se aplicando a todos que ali vivem ou passam algum tempo, haja conflito. Somos diferentes uns dos outros, temos caráteres e famílias formados diferentemente, tentar moldar essas diferenças em uma mesma regra é difícil.A família e a educação ajudam a ensinar o indivíduo desde pequeno a viver em sociedade, seguir as regras pré-estabelecidas,fazer o que é certo. Somos ensinados desde pequenos a evitar o conflito, seja com os irmãos, com os pais ou com as pessoas de fora daquele círculo familiar, vizinhos e amigos da família, que nesse caso representam a sociedade. Se fossémos como um computador, que pode ser programado para o que bem entender seu dono, seria muito fácil eliminar os conflitos: aprenderíamos o que é certo e errado e não contestaríamos aquilo, não teríamos vontade própria.
Mas nós pensamos. Temos vontade, opinião, mudamo-as constantemente, temos dúvidas, fazemos coisas erradas sabendo que são erradas, somos egoístas e vivemos numa sociedade em que devemos colaborar com o próximo e além de toda a diferença que nos fazem seres racionais, temos instintos como os outros animais: nos defendemos daquilo que nos ameaça e temos medo do desconhecido. Mas não podemos, ou não devemos, contestar o que foi sacramentado como o jeito certo de viver e acabamos negando nossa natureza, reprimindo nossas subjetividades. E o conflito acaba? Não, ele cresce dentro de nós. A discórdia se instala em nossos pensamentos, se aproveitando daquilo que nossa humanidade nos impõe: a vaidade, a consciência, a ambição, o amor, a culpa, enfim, os sentimentos e a capacidade de pensar. O que nos foi ensinado enquanto crescemos se enraiza dentro de nós de tal forma que é difícil transgredi-lo e acabamos guardando a maioria dos nossos conflitos para nós mesmos.
Não há uma maneira mirabolante de acabar com o conflito, ele está inserido na condição humana. E o que podemos fazer para minimizá-lo é justamente utilizar a ferramenta que o gera: o pensamento. Através dessa incrível capacidade que temos é possível adquirir mais e mais conhecimento sobre a vida, sobre nós mesmos e sobre o lugar onde vivemos. E isso irá gerar mais e mais conflito, mas também irá abrir nossos olhos para uma realidade diferente, nos tornando pessoas conscientes e criticas, acima da mediocridade em que grande parte de nós está inserido. O conflito nos demanda conhecer mais sobre as coisas, é o que nos move em direção às respostas que não temos, o que nos faz querer ser melhores enquanto pessoas. E pra que existimos senão para buscar melhorar o que nossos antepassados já deixaram para nós? Porque temos essa capacidade acima dos outros animais, senão para fazer a diferença no mundo? Estar em constante conflito com o que está a nossa volta e até com nós mesmos é o que nos torna tão brilhantes e curiosos e faz da humanidade uma civilização tão maravilhosa.
O post de hoje foi um trabalho da faculdade entregue há uns dois períodos atrás O tema é "O conflito e como minimizá-lo."
2 comentários:
Fala de alguém: "Danielle gosto muito dos seus textos."
Hahahahaha foi dela mesmo.
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